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domingo, 31 de julho de 2011

Cortejo Encantado - Localidade de Jenipauba da LAura - Colares- PA


Depois de um tempo parado, percebendo que muito ainda poderia ser feito, iniciamos um outro mapeamento junto a comunidade, foi ai que tivemos a audácia de reverter o quadro de inércia para o qual fomos levados, em decorrência das micro-polítcas enraizadas nas estruturas institucionais de ensino do município. Iniciamos então em fevereiro de 2011 a oficina de Iniciação Teatral, na Escola E.E.F Martinho de Azevedo na localidade de Jenipauba da Laura, onde demos inicio a proposta de intervenção cultual do projeto, que culminou na finalização das atividades.
            Neste dinamismo social, contando com o apoio da comunidade, construímos outra parceria com  Associação Cultural Beira Mar, que através da figura do “Seu Paulo“, nos estimulou durante o processo de criação da atividade. A oficina foi ministrada pela pedagoga e atriz Katty Nunes, e teve a duração de um mês, ofertando duas turmas nos períodos da manhã e da tarde para crianças de seis a doze anos. O objetivo geral da oficina foi o de possibilitar ao aluno um contato com o universo teatral, através de exercícios e técnicas corporais, desenvolvendo assim consciência corporal através de exercícios cênicos específicos, resultando no desenvolvimento da consciência corporal com o espaço cênico, potencializando também a consciência vocal através de exercícios específicos de improvisação esquetes cênicas relacionadas a assuntos da realidade local, sempre estabelecendo a relação de respeito, compromisso e reciprocidade com o próprio trabalho e com o trabalho de colegas na atividade teatral. desta forma, uma das ões pedagógicas realizada, foi a construção plástica, onde o aluno foi estimulado a usar sua imaginação, dentro de um processo de interação social, construindo objetos com o Outro. As aulas sempre se deram em três etapas. A primeira com aquecimento corporal, onde o aluno “jogava” para ter noção de espaço, foco no olhar, controlando sua força, confiar em seu parceiro de cena, consolidando o grupo. As aulas quase sempre terminavam com uma contação de histórias, escolhidas pelas crianças, onde a concentração e atenção dos alunos eram marcantes.



            Outro trabalho efetivado foi resgate da história do vilarejo de Jenipauba da Laura. Cujo nome, foi dado pelo grande número de árvores de jenipapo pela localidade e Laura era uma ex-escrava que possuía extensas terras.  trabalhado faz parte de uma investigação dos próprios alunos junto a membros mais antigos de sua família para obter informações sobre a História desse lugar, lendas que teriam sido originadas no meio onde ele, o aluno viva. Este levantamento era feito pelas crianças em casa e levado a ala de aula mediante uma roda de conversa. Com isso, eram instigados os alunos a compararem informações com a situação atual da comunidade, construindo uma identidade local e assim valorizando e respeitando lugar onde se mora. Assim dando a oportunidade a esse indivíduo ser um agente político transformador de sua realidade social.

          Foi construído junto com os alunos um Diário de bordo, onde estas informações coletadas, dados, histórias, contos e textos, desenhos, colagens eram produzidos pelos próprios alunos. Estas histórias serão contadas através da brincadeira do faz – de – conta que é vivido neste processo como uma atividade lúdica que faz a criança experimentar outra forma de pensar, sentir mediante a observação, a imitação e assim aguçando a sua imaginação criadora.
            No  dia 05 de março de 2011, foi realizado o I cortejo Encantado da Vila de Jenipauba da Laura. Cortejo cênico que teve início na escola onde a oficina se realizou e percorreu as principais ruas da comunidade. Sendo que as 35 crianças de 05 a 13 anos eram a Tribo Indígena “Turanas” que tinham suas terras invadidas por madeireiros que estavam desmatando a floresta local. Já o dez adolescentes do projeto criaram os Seres encantados da vila, a partir de um apanhado de lendas locais, “causos” relatados, e conversas no decorrer das aulas da oficina. No corpo do Cortejo foram produzidos, também dois objetos manipuláveis, construídas pelo artista plástico Teodoro Negrão, que juntamente com Fernando d’Pádua, criaram a partir da manipulação de miriti e tala de guarumã coletadas na localidade de Piquiateua nas proximidades de Jenipauba. Processo este que resultou em um “Barco” e a “Cobra grande”. alegorias utilizadas para representar iconograficamente os elementos diretamente relacionados ao imaginário desta região.
 
 

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